Editorial – Meridiano 47: reinvenção e redefinição com inovação contínua na comunicação científica em RI no Brasil

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O ano de 2016 se iniciou com um bom número de mudanças bem importantes no programa editorial do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais – IBRI, que publica  Meridiano 47 e também livros e a Revista Brasileira de Politica Internacional – RBPI.

Meridiano 47  foi totalmente redesenhada e a sua missão no  portfolio do IBRI foi redefinida. A primeira e mais óbvia mudança está no título do periódico – Meridiano 47, Journal of Global Studies – abre, literalmente, um mundo de possibilidades para explorações  e aproximações  temáticas e para diálogos epistemológicos intensos e colaborações em diferentes formas.

A partir de 2016 Meridiano 47 adota o modelo de publicação continuada,  no qual os artigos são publicados à medida em que ficam prontos. Esse modelo é focado na publicação individual dos artigos, em oposição ao modelo tradicional, baseado em fascículos e edições. Não há atrasos e nem represamentos causados pela espera pelo conjunto de artigos que comporiam um fascículo. Bastante inovador, o modelo é nativo da era da comunicação científica em  acesso aberto, e se populariza rapidamente entre publicações científicas internacionais de grande impacto.  O modelo é adotado por publishers como a veneranda Royal Society, como também por grupos que redefiniram a comunicação científica ao longo dos últimos anos, como Plos ONE e eLife.

A publicação continuada conferirá extraordinária agilidade a Meridiano 47  A expectativa é de que o ciclo completo de análise em peer review em duplo cego e de produção editorial até a publicação não seja maior do que 45 dias. A partir de agora, cada artigo receberá um número único, denominado elocation, que o identificará no volume, e que será usado em todas as formas de citação. O elocation  complementa o registro do DOI (Digital Object Identifier) que passa a ser conferido a cada um dos artigos publicados em Meridiano 47 também a partir desse volume.

Uma outra inovação importante diz respeito à própria natureza dos trabalhos publicados. Nesse sentido, as normas de colaboração foram repensadas. Agora Meridiano 47 e a RBPI compartilham basicamente as mesmas regras de submissão, com pequenas diferenças. Foi retirada a exclusividade dos short papers, que eram a marca de Meridiano 47 – doravante, são considerados artigos em português e em inglês, com extensão entre 4 mil e 8 mil palavras.  Em 2015, tanto a RBPI quanto Meridiano 47 já haviam adotado um código de conduta ética, que regula as relações entre a equipe editorial, os pareceristas e os autores, como também estabelece o que se espera na atuação de cada uma dessas partes.

As sinergias entre os veículos IBRI – Meridiano 47 e RBPI –  serão exploradas intensamente. A primeira medida nesse sentido é a adoção da portabilidade dos pareceres certificados dentro dos nossos sistemas de submissão. Desse modo, abre-se a possibilidade de pareceres recebidos por artigos submetidos a uma sejam transmitidos para o outro periódico, abreviando ciclos de análise editorial – se essa for a vontade dos autores.

Uma questão que é a cada dia mais importante na gestão de um veículo científico é sem dúvida a divulgação do conteúdo publicado. No nosso caso, isso passa pelo uso intenso e inteligente de todas as possibilidades de produção de conteúdo adicional, que esclarece e enriquece o produto original. Assim, a veiculação das notícias sobre a publicação dos artigos no sistema de newsletters de Meridiano 47 complementa os esforços de divulgação que vem sendo desenvolvidos nas mídias sociais, no website do IBRI (http://www.ibri-rbpi.org) e junto a Mundorama – Revista de Divulgação Científica em Relações Internacionais.

O melhor exemplo desses esforços é a preparação e veiculação de press releases sobre os artigos e entrevistas com os autores, que aumentam a visibilidade nacional e internacional e proporcionam repercussão extraordinária para os trabalhos publicados. O resultado será, além da repercussão intensa, também o aumento do número de citações e das possibilidades de uso desses “kits” de entrevistas e de press releases em sala de aula, como recursos acessórios para o debate sobre os artigos publicados – entre muitos outros usos.

A razão primeira para todos esses ajustes, que são tornados públicos nos primeiros meses de 2016,  é ampliar a penetração de Meridiano 47, permitindo que atraia um número maior e melhor de colaborações altamente qualificadas e cientificamente impactantes. Enfim, para se destacar como um veículo de alto nível em um cenário marcado pelo crescimento explosivo do número de publicações científicas – em todas as áreas do conhecimento, em todos os lugares do mundo, mas especialmente na área de Relações Internacionais no Brasil – Meridiano 47 muda e se redefine. Desse modo, Meridiano 47 complementa de modo ainda mais intenso o que fazemos no IBRI com a RBPI, já há quase sessenta anos, e também estabelece condições oara se desenvolver sustentavelmente como um espaço continuamente aberto para a inovação na comunicação científica.

Antônio Carlos Lessa, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, é editor-chefe das publicações do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (alessa@unb.br).

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