A academia de Relações Internacionais e a Reforma do Sistema ONU: o caso do Brasil

No que pese a força simbólica das Nações Unidas, a sua relevância na Política Internacional tem sido questionada, o que levou ao consenso entre seus Estados-membros quanto à necessidade de mudanças que revitalizassem sua estrutura institucional. O debate quanto a quais mudanças e como implementá-las  não ressoa na produção acadêmica do campo de Relações Internacionais, nem no mundo, nem no Brasil, o que limita as referências disponíveis para diplomatas e funcionários que encaminham essa agenda, assim como limita reflexões quanto ao impacto e à conveniência de iniciativas em curso.

O artigo A academia de Relações Internacionais e a Reforma do Sistema ONU: o caso do Brasil publicado no volume 17 de Meridiano 47 indica que a agenda de pesquisa quanto a ONU é definida por tendências epistemológicas do campo tanto mundiais, como a influência do Realismo e de temas relacionados à Segurança, quanto locais, como a influência da Política Externa Brasileira (PEB) nas publicações nacionais sobre o tema. Esse estudo pesquisou o conteúdo relacionado ao Sistema ONU publicado nos principais periódicos do campo entre 2006 e 2014, identificando a concentração das abordagens no Conselho de Segurança (CS) e nas Operações de Paz, em geral, e na Reforma do CS, no caso específico do Brasil, cuja PEB busca um assento permanente para o país.

Essas tendências levaram a análises majoritariamente conjunturais e limitadas a partes do Sistema ONU, em detrimento de análises que tratem do corrente debate quanto à necessidade de coerência sistêmica de uma estrutura institucional fragmentada, na qual as unidades componentes detêm autonomia de facto e culturas e procedimentos institucionais distintos. Disso resulta a duplicação e a sobreposição mandatos, a competição por fundos e a abaixa capacidade de ação estratégica, o que desafia o poder e a relevância da ONU. A agenda de reforma lançada na Cúpula Global de 2005 sobre coerência sistêmica detém quatro clusters: governança, financiamento, harmonização de práticas de negócio e operacionalização, oferecendo inúmeras possibilidades de observação e de teorização do Sistema das Nações Unidas, sendo importante o acompanhamento do seu potencial e limites.         

É necessária maior atenção quanto à forma em que as atividades do Sistema ONU são estruturadas, já que sua relevância e seu impacto na Política Internacional relacionam-se ao modo como ela se organiza e atua. A pesquisa quanto às dinâmicas internas do Sistema ONU tem relevante potencial de esclarecer a interação entre as diversas partes desse sistema e a entre elas e atores externos à sua estrutura.

 

Leia o artigo

Oliveira, L. (2016). A academia de Relações Internacionais e a Reforma do Sistema ONU: o caso do Brasil. Meridiano 47 – Journal of Global Studies, 17. doi:http://dx.doi.org/10.20889/M47e17015

Sobre a autora

Luciana Rezende Campos Oliveira, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Departamento de Relações Internacionais, Belo Horizonte – MG, Brazil (lurcamposo@gmail.com).
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