Estados Unidos e Rússia: Convergência e Divergência Geopolítica (1989-2016)

Ao longo do século XX, duas potências dominaram as relações internacionais, os Estados Unidos e a União Soviética. Representantes de dois modelos sociais, políticos, econômicos, culturais e estratégicos diferentes, o capitalismo e o socialismo, ambas as nações alternaram durante este período momentos de cooperação e conflito. Dentre estes, o conflito prevaleceu na maior parte do tempo, seja no imediato pós-Revolução Russa (1917) ou durante a Guerra Fria (1947/1989) quando a disputa pela hegemonia tornou-se global. Os impactos deste choque sistêmico disseminaram-se pelo sistema internacional, mas encontraram seu fim em 1989 com a Queda do Muro de Berlim.

Diante desta realidade, os anos 1990 foram caracterizados por uma trajetória trocada: os Estados Unidos consolidando-se como a superpotência restante, amparado por um forte aparato militar e a quase universalização do regime político-econômico capitalista liberal e a União Soviética deixando de existir como nação, sendo substituída pela Rússia. Para a Rússia, esta transição de império à “nação normal” significou o encolhimento de sua influência regional e global, e o desmantelamento de seus recursos de poder econômicos, sociais, políticos e culturais. No cenário da Eurásia, a ascensão dos norte-americanos parecia incondicional, assim como em todo o mundo.

Porém, as alterações de poder relativo nos Estados Unidos e, principalmente, das tendências domésticas da política russa levaram a uma transformação deste quadro, em particular após a ascensão de Vladimir Putin à Presidência em 1999. Desde então, apesar das dificuldades, a Rússia busca sua recuperação interna, assim como a reafirmação de seu espaço internacional, começando pelo seu entorno geográfico. Em sua política externa, a retomada da autonomia traduziu-se em uma agenda complexa, de aproximação ao Oriente e ao Ocidente, com foco na China, na Ásia Central e na renovação do papel russo como país emergente dentro dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Mais do que um processo de fortalecimento, este foi um momento de reinvenção russo, diante de um nascente equilíbrio de poder mundial com tendências à multipolaridade, instrumentalizando novos conceitos e oportunidades.

Por sua vez, os Estados Unidos responderam às movimentações russas acelerando a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e incentivando a União Europeia (UE) a buscar um esforço similar. No âmbito da Guerra Global contra o Terror depois dos atentados ao território continental norte-americano, as guerras do Afeganistão (2001/2014) e Iraque (2003/2011) somente acentuaram o sentimento de estrangulamento da Rússia, somada às disputas energéticas da Ásia Central.

Neste contexto, não foram poucos os que apontaram o renascimento da Rússia e o início de uma nova Guerra Fria com os Estados Unidos. Mas será isso ainda possível? Ou o quadro político-estratégico-econômico russo impediria uma nova ascensão? E o que dizer do lado norte-americano, qual é a postura diante da Rússia, engajamento ou contenção? Representaria a Rússia um desafio ainda sistêmico aos Estados Unidos em escala global? E o papel da China? Como a nova potência emergente impacta estas relações bilaterais ao se aproximar bilateralmente da Rússia e por meio das alianças de geometria variável com os BRICS? Qual é o futuro deste chamado Grande Jogo II pelo domínio da Eurásia?

Frente a estas questões, o artigo Estados Unidos e Rússia: Convergência e Divergência Geopolítica (1989-2016) de autoria de Cristina Soreanu Pecequilo e Alessandra Aparecida Luque, publicado no volume 17 de Meridiano 47 – Journal of Global Studies, visa discutir esta importante relação bilateral, muitas vezes tomada ainda como apenas uma continuação da bipolaridade no século XXI. Porém, esta é uma relação que vai muito mais além do antigo estereótipo, e que envolve a complexidade da transição da União Soviética para a Rússia, e as dinâmicas de crise e unilateralismo dos Estados Unidos. Assim, é uma relação que passa por adaptações desde os anos 1990, até as recentes dinâmicas do século XXI, revelando toda sua complexidade estratégica ao leitor brasileiro.

Leia o artigo

Pecequilo, C., & Luque, A. (2016). Estados Unidos e Rússia: Convergência e Divergência Geopolítica (1989-2016). Meridiano 47 – Journal of Global Studies, 17. doi:http://dx.doi.org/10.20889/M47e17017

Sobre as autoras

Cristina Soreanu Pecequilo, Universidade Federal de São Paulo, Relações Internacionais, Osasco – SP (crispece@gmail.com).. ORCID ID: orcid.org/0000-0003-1617-186X

Alessandra Aparecida Luque, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Relações Internacionais, Marília – SP (aleluque1@gmail.com).

 

 

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