A Revolução Cubana, a deriva do regime castrista e os destinos de Cuba pós-Fidel Castro

A morte de Fidel Castro deixa um rastro de incertezas quanto ao destino de Cuba. Não obstante o poder da pequena ilha caribenha já estar nas mãos de seu irmão Raúl, todas as decisões importantes continuavam sendo tomadas por Fidel, segundo nos relata o principal biógrafo de Fidel Castro, Ignácio Ramonet. Sem Fidel no horizonte político de Cuba, vários cenários políticos e económicos se delineiam, muitos dos quais com a participação ativa da comunidade de exilados cubanos na Florida, que pretende regressar a Cuba, não por razões políticas, mas por questões eminentemente económicas.

Todas estas matérias são de interesse relevante para análise no âmbito das relações internacionais da América Latina e do mundo, influenciando as discussões sobre a segurança regional, especialmente num momento em que a sub-região passa por uma fase de enormes transições sócio-político-económicas resultado da retração das esquerdas na maioria dos países latino-americanos, enquanto a Venezuela, onde a oposição é maioria no Parlamento, se encontra numa situação de quase guerra civil, com o legislativo e o judiciário em busca de instrumentos para impedir o presidente Nicolás Maduro de permanecer em funções, a inflação é galopante e as prateleiras dos supermercados permanecem vazias.

Se estudar a realidade atual da América Latina traz agregado o desafio de analisar as idiossincrasias de cada um dos Estados que a compõe, após um período em que cada um seguiu o seu próprio caminho com a única característica comum de terem as esquerdas no poder, preocupadas em tornar inclusivo o projeto social, hoje as transformações sucedem-se por quase toda a sub-região, trazendo uma nova e quase comum realidade a todos os países, a da substituição das esquerdas por novos projetos de caráter neoliberal.

Contudo, a análise destas transformações, no caso particular de Cuba, ficaria incompleta sem uma síntese do que foi a Revolução Cubana, os seus propósitos democráticos e a sua ambição pela liberdade, passando depois pela deriva comunista e subjugação necessária e pragmática, um ato de realpolitik, ao domínio soviético. A deriva autoritária, a utilização constante dos aparelhos repressivos de caráter ideológico, fizeram do regime castrista um regime temido pelos Cubanos embora não sanguinário, como o foram as ditaduras militares do Cone Sul. Neste sentido, importa fazer uma viagem histórica e analítica do que foi o regime castrista, para que se possa compreender as possíveis vias de evolução de Cuba pós-Fidel que se delineiam hoje no horizonte a médio prazo. Estes são os objetivos do artigo A Revolução Cubana, a deriva do regime castrista e os destinos de Cuba pós-Fidel Castro, publicado no volume 17 de Meridiano 47 – Journal of Global Studies.

Leia o artigo

Patricio, R. (2016). A Revolução Cubana, a deriva do regime castrista e os destinos de Cuba pós-Fidel Castro. Meridiano 47 – Journal of Global Studies, 17. doi:http://dx.doi.org/10.20889/M47e17021

Sobre a autora

Raquel de Caria Patricio, Universidade de Lisboa, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Lisboa, Portugal (raquelpatricio@iscsp.ulisboa.pt), ORCID ID: orcid.org/0000-0001-8630-0677.

 

 

 

Tagged with:    

Instituto Brasileiro de Relações Internacionais

Revista Brasileira de Política Internacional & Meridiano 47

Caixa Postal 4400 70919-970 – Brasília – DF Brasil

secretaria@ibri-rbpi.org

Informes do IBRI

Digite o seu e-mail para receber notícias do IBRI, da RBPI e de Meridiano 47 por email.

Junte-se a 3.340 outros assinantes

%d blogueiros gostam disto: