Brasil – Estados Unidos: grandes expectativas, pequenos atritos

O ano inicial da gestão do presidente democrata Barack Obama foi também o primeiro dos efeitos da crise econômica recebida das mãos de seu antecessor, o republicano George Bush. Além da gravidade da situação, o dirigente norte-americano deparou-se com outra, relacionada com o duplo desgaste da atuação governamental na inusitada região médio-oriental: a militar em si mesma, ao não sobrepujar duas potências encanecidas, Afeganistão e Iraque, e a de direitos humanos, em função da transformação da base naval de Guantánamo em Cuba em presídio de acusados de terrorismo e da denúncia da existência de centros de detenção secretos, mantidos por países aliados como a Polônia, por exemplo (Goldman, 2014).

Diante disso, o novo mandatário tentou desanuviar o cenário no qual se inseria, ao apresentar-se à sociedade internacional como a face renovada da política estadunidense e, por conseguinte, com diretrizes de fato diferentes como a ênfase no diálogo multilateral. Assim, no tocante à desassistida América Latina, ele havia, durante a renhida campanha de 2008, prometido maior dedicação a ela.

Em vez de centrar-se na questão da segurança nacional, como era a relação tradicional com Colômbia e México, ou da ideologia, como era com o intricado e inquieto grupo bolivariano, ele concentrar-se-ia no estreitamento dos laços comerciais e no pragmatismo político, isto é, em torno de um concerto sobre reduzido número de questões, de modo que possibilitasse ao seu país a superação no menor tempo possível do quadro adverso herdado ao longo de aproximadamente uma década.

Nesse sentido, a Casa Branca interagiu sem problemas de monta com o Planalto na fase preambular para a administração de Barack Obama e quase derradeira para a de Lula da Silva. No primeiro semestre de 2009, cinco tópicos sobressaíram no relacionamento amero-brasileiro:

A própria tribulação econômica de alcance planetário; a possível, embora indesejável para os cinco membros permanentes, reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas; a reintegração oficial de Cuba ao sistema regional, ao eliminar medida subscrita em 1962, período de acentuada tensão no conflito sovieto-americano da Guerra Fria; a deposição do dirigente Manuel Zelaya em Honduras e o reconhecimento da vitória de Mamoud Ahmadinejad no Irã, quando da disputa à reeleição da presidência por outros quatro anos.

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Caixeta Arraes, V. (2016). Brasil – Estados Unidos: grandes expectativas, pequenos atritos.Meridiano 47 – Journal of Global Studies, 17. doi:http://dx.doi.org/10.20889/M47e17019

Sobre o autor

Virgílio Caixeta Arraes, Universidade de Brasília, Departamento de História, Brasília – DF Brazil  (arraes@unb.br).

 

 

 

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