Contribuições do Aprendizado Ativo ao Estudo das Relações Internacionais nas universidades brasileiras

O artigo apresenta dois objetivos principais. O primeiro é introduzir o instrumental de aprendizado ativo na área de Relações Internacionais (“RI”) como forma de aprimorar o processo de aprendizado. O segundo é sugerir que esse instrumental, apesar de consistir na quebra de modelos tradicionais de ensino, oferece condições de superar as dificuldades estruturais do ensino superior brasileiro, além de atender à demanda por multidisciplinaridade na área de RI.

 Em relação ao primeiro objetivo, apresentamos o aprendizado ativo a partir da promoção da inserção do aluno no processo de construção do conhecimento. Isso acontece por meio da interação com o conteúdo e da produção de conexões significativas entre o objeto de análise e o estudante. O professor opera, nessa lógica, como moderador e facilitador, estimulando o processo cognitivo. Questionamos a ideia de um ambiente pedagógico baseado na hierarquia do conhecimento para sugerir que o envolvimento de ambos os pólos, docente e alunos, acaba por produzir resultados significativos ao estimular o compartilhamento de experiências. Envolve, pois, dar significado ao conteúdo estudado, engajando o estudante no processo pedagógico e produzindo pensamento crítico na resolução de problemas. Expomos no artigo, também, as contribuições do aprendizado ativo na sala de aula, em esferas como a resposta cognitiva, correlação entre conhecimento abstrato e a aplicação no mundo real e a retenção do conhecimento. Essa discussão é promovida a partir da distinção entre os Paradigmas do Ensino e o do Aprendizado, com o aprendizado ativo se aproximando deste, apresentamos e discutimos como o aprendizado ativo sugere a mudança na maneira como o conteúdo é tratado em sala de aula.

No tocante às contribuições ao ensino superior brasileiro, reconhecemos a existência de uma curva de aprendizado para a implementação dessas estratégias, bem como a necessidade de adequação de cursos e dinâmicas de aula ao método do aprendizado ativo, mas mostramos que os custos são marginais. Os impactos positivos superariam em muito a curva de aprendizado. Esses seriam percebidos à luz do Paradigma do Aprendizado e consistiriam em duas grandes áreas, que afetariam positivamente a área de RI, mas seriam aplicados ao ensino superior como um todo.

A primeira se relaciona à forma de entrada no ensino superior. O conhecimento no ensino médio é compartimentalizado em grandes áreas – Exatas, Humanas, Bio-Médicas – que se subdividem em áreas do conhecimento de carreiras para seleção no vestibular. Sem pensar em uma conexão entre os diferentes conhecimentos, a preparação para o processo seletivo evidencia grupos estanques. O aprendizado ativo facilitaria o diálogo no aprendizado, especialmente em um curso multidisciplinar como RI. A construção de conexões significativas entre as disciplinas proporcionaria maior compreensão de áreas afins e permitiria, também, para diminuir a rejeição entre as grandes áreas. E o fim dessa rejeição levaria ao reconhecimento da importância de se pensar de forma multidisciplinar para resolver questões do mundo real. E, com isso, o maniqueísmo de rejeitar ou aceitar certas matérias e conteúdos seria substituído por uma escala de relevância. A multidisciplinaridade do estudo das RI poderia, assim, ser constituída a partir da integração construtiva e relevante de diferentes conteúdos e áreas do conhecimento.

A segunda contribuição visa superar as dificuldades estruturais que incidem no ensino superior. Nesse caso, questões como financiamento, limitação orçamentária e condições logísticas podem ser superados com o uso do aprendizado ativo. A lógica que norteia o aprendizado ativo permitiria construir um espaço de aprendizagem compatível com as expectativas de estudantes e instituição mesmo diante de recursos limitados. Nossa experiência indica que as estratégias de aprendizado ativo podem ajudar a superar tais limitações e constrangimentos, permitindo aos docentes e estudantes adequarem os recursos que dispõem aos objetivos pedagógicos buscados. Questões como turmas com um número excessivo de alunos inscritos, recursos audiovisuais escassos e horários de aulas que são contraprodutivos em função de sua extensão podem ser contornados. Elementos como estruturação e organização das salas de aula, atividades a serem desenvolvidas durante as aulas e exercícios visando aumentar a capacidade de retenção do conteúdo estudado podem ser facilmente percebidos a partir do aprendizado ativo. E é justamente na criação desse espaço de aprendizado que o diferencial se dá.

Leia o Artigo

Inoue, C. Y. A., Valença, M. M. (2017) Contribuições do Aprendizado Ativo ao Estudo das Relações Internacionais nas universidades brasileiras, Meridiano 47, DOI: http://dx.doi.org/10.20889/M47e18008

Sobre os autores

Cristina Yumie Aoki Inoue – Universidade de Brasília, Instituto de Relações Internacionais, Brasília – DF, Brazil (cris1999@gmail.com).

ORICD ID: orcid.org/0000-0003-3696-252X

Marcelo M. Valença – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Departamento de Relações Internacionais, Rio de Janeiro – RJ, Brazil (marcelo.valenca@gmail.com).

ORCID ID: orcid.org/0000-0002-4930-9805

Print Friendly, PDF & Email
Tagged with:    

Instituto Brasileiro de Relações Internacionais

Revista Brasileira de Política Internacional & Meridiano 47

Caixa Postal 4400 70919-970 – Brasília – DF Brasil

secretaria@ibri-rbpi.org

Informes do IBRI

Digite o seu e-mail para receber notícias do IBRI, da RBPI e de Meridiano 47 por email.

Junte-se a 11.321 outros assinantes

%d blogueiros gostam disto: